Em tempos de confinamento pelo Corona vírus, é preciso ter cuidado com o ar-condicionado

27/04/2020

Com a disseminação do Corona vírus, cresce a preocupação com a utilização correta do equipamento. Saiba como higienizá-lo e com qual frequência deve ser feito.

 

Crédito: PMSCS

 

É tempo de ter atenção. O ritmo de expansão do Corona vírus pede cuidados extras em relação a diferentes características do cotidiano. Entre as medidas chamadas não farmacológicas, cresce a lista de precauções que devem ser observadas, desde as atividades mais simples da rotina até as grandes preocupações, sobretudo considerando os ambientes de convívio com as pessoas no grupo de risco. O uso correto do ar-condicionado em ambientes fechados, por exemplo, é um aspecto que tem gerado dúvidas.

 

A resistência do Corona vírus em superfícies é um fator motivador para a limpeza dos sistemas de ar-condicionado. O processo de higienização é simples – devem-se respeitar protocolos amplamente divulgados. Serve água e sabão, álcool em gel ou líquido, ou qualquer outro tipo de biocida, afirma Arthur Aikawa, pesquisador e CEO da Omni-electronica, startup do Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec).

 

Existe legislação específica com orientações para o setor. O Plano de Operação, Manutenção e Controle (PMOC) motivou lei promulgada em 2018 e delibera quanto a parâmetros para a qualidade do ar, determinados por resolução do Ministério da Saúde e Anvisa. Entre os itens observados, níveis máximos de concentração dos poluentes mais conhecidos e de fácil detecção, entre eles o índice de gás carbônico e quantidade de fungos. As normas ficaram conhecidas como a Lei do Ar-condicionado, voltada para qualquer tipo de ambiente de uso público e comum, como museus, bibliotecas, shopping centers, hospitais.

 

“Especialmente durante esta pandemia, é bom manter uma frequência de limpeza. O PMOC determina a limpeza interna de dutos e higienização do sistema no mínimo uma vez por semestre. São sistemas complexos, não tem como fazer uma limpeza diária, mas, para locais menores, não custa nada passar um pano com álcool nas superfícies mais expostas do ar-condicionado. A higiene garante não apenas a eliminação do Corona vírus. Existem vários outros patógenos perigosos, como bactérias e fungos, que causam doenças respiratórias”, diz Arthur.

 

São recomendações que consideram não o equipamento em si, mas o uso que as pessoas fazem dele, muitas vezes inadequado, continua o profissional. “Muita gente não tem a compreensão sobre a qualidade do ar nos ambientes internos. No modelo da maioria dos sistemas de ar-condicionado usados no Brasil não há renovação de ar. O ar interno fica reciclando, só é refrigerado, não existe uma renovação com mistura de ar externo”, informa. E é essencial, justamente, que haja a mistura com o ar externo para garantir um ambiente salubre, para manter a qualidade do ar interno. “As maiores fontes de contaminação estão do lado de dentro. Micro gotículas com vírus e bactérias podem ficar até três horas suspensas no ar. Um problema agravado quando há aglomeração de pessoas no ambiente.” Outro equívoco é não respeitar as normas vigentes a respeito de temperatura e umidade relativa adequadas.

 

Condições inadequadas

 

O ar-condicionado em si não propaga o vírus, mas seu mau uso pode trazer riscos para a saúde. Entre os principais, o aumento da probabilidade de contaminação entre indivíduos, se houver alguém infectado no local e a ventilação for insuficiente, e o enfraquecimento do sistema imunológico, por condições hidrotérmicas inadequadas. “Se o local estiver com uma temperatura muito abaixo do recomendado pela Anvisa, pode implicar uma situação prejudicial para o sistema imunológico das pessoas, acarretando manifestação mais severa dos sintomas do Corona vírus, após a contaminação”, alerta Arthur.

 

Segundo ele, já existem diversas tecnologias tanto pra monitoramento em tempo real da qualidade do ar quanto para a purificação e gestão da qualidade do ar, que são pouco utilizados. Em geral, as pessoas estão só preocupadas se está quente ou frio e relevam um pouco essa questão, que é de suma importância. A startup desenvolveu um dispositivo que monitora a qualidade do ar em espaços internos, além de informar e indicar as ações necessárias para cada local. O sistema considera parâmetros como temperatura, umidade relativa, concentração de gás carbônico, compostos orgânicos voláteis, material particulado, entre outros. O SPIRI, como foi nomeado, fornece dados, relatórios, alertas e visualizações personalizáveis capazes de monitorar a salubridade do ambiente. A solução pode ser usada em espaços residenciais, escolas, hospitais, escritórios, academias.

 

Ambientes sem climatização, sem ventilação, ou mesmo sem manutenção adequada dos sistemas podem ser prejudiciais à saúde e improdutivos, como alerta a Associação Brasileira de Ar Condicionado, Refrigeração, Ventilação e Aquecimento (Abrava).

 

Qualidade do ar

 

Quatro pontos determinantes

 

Renovação

Ação que garante a ventilação e circulação do ar, além da diluição do ar no interior do ambiente, de modo a não permitir a concentração de poluentes, fator que provoca agravos à saúde.

 

Filtragem

Ação que tem por objetivo reter partículas e microgotículas, que podem carregar poluentes ou micro-organismos como a COVID-19

 

 

Controle de temperatura e umidade

Fatores de necessidade física que contribuem com a saúde das pessoas, assim como podem inibir a proliferação de determinados organismos, como a COVID-19

 

Monitoramento da qualidade do ar

Manter o nível de dióxido de carbono dentro dos índices determinados para ambientes é uma das formas de garantia da qualidade do ar respirado.

 

Fonte:  Associação Brasileira de Ar Condicionado, Refrigeração, Ventilação e Aquecimento (Abrava)

 

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